A gente chegou num ponto em que já não é chocante, nem estranho, é uma coisa super natural, na maioria dos meios, você assumir sua identidade, seja sexual, religiosa, política, o que for…
Tem gay que extrapola e é praticamente uma mulher. Tem também o “jeitinho gay” aquele que é moderninho, usar certas gírias, se joga na balada, mas não passa pra afetação toda. Tem uns que têm tudo pra ser hétero, mas são gays, e falam disso normalmente.
Eu sinceramente não faço idéia do grupo que pertenço, pra variar né, mas falo sim, e tenho orgulho, não do FATO de eu me assumir como gay/bi/whatever, mas de eu me conhecer e me aceitar a ponto de apresentar pras pessoas um lado que é considerado íntimo, mas que não passa de uma característica minha, como eu ser canceriano, gostar de cachorros, ou preferir trident de canela.
Mas sim, eu tenho orgulho de todas essas coisas, porque são parte de quem eu sou. Não sei todo mundo, mas eu me amar, e me aceitar, foi uma das coisas mais importantes que a vida me ensinou a fazer. Talvez se eu não me assumisse tantas vezes por dia, sobre todas essas coisas, pra todo mundo, eu sumiria. Confesso, não tenho uma personalidade muito digna de atenção, não tenho uma beleza apaixonantee muito menos um papo interessante. Me apresentar pras pessoas, como todas as coisas que eu sou, é um jeito de garantir que pelo menos se lembrem de mim no dia seguinte.
São essas saídas do armário diárias que me fazem dormir sabendo que quem gosta de mim, é por quem eu realmente sou. Ou que eu gostei de uma coisa que eu falei ou fiz, por terem vindo de mim.
Claro, não sou esse amor-próprio toda hora, mas até quando eu me odeio, quando eu quero dar um soco na minha cara, é um alívio saber que é um ódio de algo verdadeiramente meu. No fim do dia, não importa se eu fui amigável, engraçado, inteligente, sexy, grosso, rude, estranho… É reconfortante, em algum nível, saber que eu fui o Marcelo, pra quem quiser ver, por 24 horas.

